O corpo de Bernardo da Silva Marques Osório, de 1 ano e 11 meses, será encaminhado de Itaberaba (BA)  para Brasília nesta segunda-feira (9/12). O trajeto de 1.270 quilômetros, com duração de mais de 15 horas, será feito por uma funerária local, que disponibilizará dois motoristas, para que não ocorram interrupções longas durante o traslado. Segundo a família, a previsão é de que a criança seja enterrada amanhã no Campo da Esperança, na Asa Sul. O pai do menino e assassino confesso, o servidor público Paulo Roberto de Caldas Osório, 45, está preso na Divisão de Controle e Custódia de Presos (DCCP), no complexo da Polícia Civil do Distrito Federal, no Sudoeste.

Peritos do Instituto de Pesquisa de DNA Forense (IPDNA) identificaram o cadáver encontrado em Campos de São João, no município baiano de Palmeiras (leia Passo a passo da investigação), em menos de seis horas, no sábado. Segundo Samuel Ferreira, perito-médico e diretor do instituto, a rapidez do resultado também ocorreu para atender a um pedido da avó do garoto, Juciane Mascarenhas Nascimento, 57. “A primeira coisa que ela me pediu foi para que déssemos uma resposta concreta o quanto antes, para que pudessem ter paz. Como profissionais, visamos à questão humanitária. Se podemos abreviar o luto de uma família pela identificação de um ente querido, é isso o que devemos fazer”, salientou.

Especialistas do IPDNA utilizaram uma técnica desenvolvida pela própria equipe de Brasília, usada na identificação de vítimas de tragédias como a de Brumadinho (MG), em janeiro deste ano. “O diferencial é que o teste é mais simplificado, e o resultado, mais célere. Selecionamos áreas de tecidos moles ou intermediários, como a cartilagem. No entanto, é preciso buscar locais que não foram degradados pela decomposição avançada e nos quais as células continuaram mais preservadas. No caso do Bernardo, entramos em contato com policiais da Bahia e, por meio de fotos, determinamos a área a ser coletada para o exame”, detalhou Samuel Ferreira.

A área escolhida foi a cartilagem articular do joelho. O material foi comparado com o DNA da mãe, a advogada Tatiana da Silva Marques, 30, e do pai, Paulo Osório, por meio de amostras salivares. “Conseguimos provar, cientificamente, que o corpo encontrado na Bahia é de Bernardo. A probabilidade de ter outra pessoa com um DNA semelhante é de uma em 53 septilhões. Considerando que a Terra tem 7 bilhões de pessoas, seriam necessários 7 trilhões de planetas para que houvesse uma segunda pessoa com o DNA semelhante ao de Bernardo”, explicou o policial civil.

Segundo o delegado Leandro Ritt, chefe da Divisão de Repressão a Sequestros (DRS), a apuração do caso  está concluída com a identificação do corpo. A polícia da Bahia finalizará o laudo da causa da morte, o qual será anexado ao inquérito policial, que deve ser remetido ao Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) até quarta-feira (11).

Psicopata

Para o investigador, Paulo Osório mentiu durante os depoimentos e demonstrou ter perfil de “psicopata”. “Ele indicou uma rota errada para não encontrarmos o menino e para perpetuar o sofrimento da mãe e da avó. Teve até o cuidado de comprar uma roupa nova para o filho não ser reconhecido pelas vestimentas se o corpo fosse encontrado”, relatou.

“Isso também indica uma frieza de Paulo, o que é percebido durante as oitivas. Em nenhum momento, demonstrou qualquer reação sobre o que ocorreu. Ele diz que queria assustar a mãe da criança, ao viajar com Bernardo. Mas sabemos que não é verdade. Quem tem essa intenção tem o cuidado de separar alimento, mala e brinquedos. Eles saíram com a roupa do corpo. Isso deixa claro que o objetivo era matar o filho. Ele tem perfil de psicopata, mas psiquiatras poderão indicar, com precisão, todos os desvios de caráter, mediante exames”, salientou o delegado.
FONTE: SP Sarah Peres
postado em 09/12/2019 06:00



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